A ideia proposta pelo diretor do filme "Besouro" era fugir do convencional, fazendo um cinema diferente daquele que se está acostumado a ver no Brasil, um cinema de aventura. Críticas a parte, o filme acaba atingindo seu objetivo, mas deixa de lado um elemento fundamental: a história. O filme foi pensado sim no viés narrativo mas este se desenvolve de maneira pobre e sem vigor, a história foi deixada para trás: personagens mal construídos, raciocínio narrativo que não se conclui, arcos dramáticos inacabados, diálogos mal-contruídos; em determinados momentos ficamos com uma sensação do tipo: por que tal personagem desapareceu? Por que o outro voltou? Por que o personagem 1 não representa o 2 e vice-versa? Ou seja, a impressão que é passada é que a história não é o mais importante e salvo algumas passagens, o filme não se sustenta nesse campo.
Um elemento que, com toda certeza daria muita discussão e dabate seria, no filme, o misticismo: a questão dos mestres da capoeira, do “corpo fechado”, dos orixás, enfim, situações que nos tiram do real e nos levam para um mundo completamente fantasioso (o que seria ideal para o filme, se assumisse essa posição anti-real) são completamente minimizados no filme, a passagem que se tem é curta e não é convincente. Mais uma vez no cinema brasileiro, o filme tem medo de apostar no que fica além-mundo-real.
De resto o filme acerta em quase tudo, aposta na beleza estética por meio de um nordeste antigo e embelezado, até mesmo as senzalas possuem um toque especial e simpático; atores muito bonitos com corpos esculturais; além de uma câmera muito segura, que se arrisca (de uma maneira contida) nas sequências de lutas mais sofisticadas bem como nos momentos de treinamento do protagonista. Observação especial para os efeitos de voo do nosso herói, confeccionados por um especialista que já trabalhou com Tarantino e Ang Lee: bem feitos e super convincentes, entretanto nada que já não tenhamos visto em outros cinemas. Resumindo, nada de novo, de novo.
Até a próxima pessoal, valeu...
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
O modesto voo do "Besouro"...
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Show de Bola...
Nessa sexta-feira, dia 20, entra em cartaz um filme para quem gosta de futebol e também pra quem não gosta. Ele é “Maradona”, documentário que retrata a vida do polêmico jogador argentino e novo trabalho do diretor sérvio Emir Kusturica. Mas antes de falar do filme, falemos rapidamente sobre Kusturica: ele já recebeu a Palma de Ouro em Cannes duas vezes - em 1985, por “Quando Papai Saiu em Viagem de Negócios”, e em 1995, por “Underground – Mentiras de Guerra” – e teve a estréia de “Maradona” justamente no mesmo festival, em 2008. Sentiram o peso, né?!
O filme, ao tratar do jogador, acaba abordando uma série de questões polêmicas e provocativas, como drogas, política, futebol e até religião. Algumas vezes, as polêmicas são lançadas pelo próprio diretor, que logo declara Maradona como um Deus – visão apoiada por toda a nação argentina e uma verdadeira alfinetada para nós, brasileiros. Mas por mais que o objetivo fosse registrar depoimentos sobre a versão do próprio Maradona a respeito de sua vida, o filme acaba fazendo mais do que isso: é a busca quase desesperada de um fã. E Kusturica não disfarça, pelo contrário, assume, através de sua própria voz como narração em off, falas em primeira pessoa, o registro de sua imagem em praticamente todos os enquadramentos e na tietagem descarada que pratica ao longo do filme. A primeira cena, na qual ele toca guitarra em um show em Buenos Aires, é um aviso de que ele, e não Maradona, será o personagem principal do filme.
O resultado é quase um vídeo-diário, que registra uma verdadeira jornada, cheia de esforços e sensações, permeados por expectativas e lembranças que Kusturica evoca como um paralelo com a vida do jogador. Dessa forma, “Maradona” deixa de ser somente um documentário sobre um jogador para ser, principalmente, a reflexão síntese de um diretor sobre toda a sua carreira.
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Os Bastardos de Tarantino...
Bastardos Inglórios é um filme que teria tudo para ser "tosco" e bobo: um pequeno grupo de soldados denominados "Bastardos" circula pela Europa numa incansável busca por nazistas com o objetivo de derrubar o Terceiro Reich. Entre escalpos e suásticas, o que se vê na tela é um bom filme, uma obra reconhecida e identificada ao seu diretor. A pergunta é: o filme funciona por que sabemos quem o dirigiu? Saber, nesse sentido, quer dizer conhecer o "estilo" e o "método" de Quentin Tarantino. O roteiro, escrito pelo próprio, é o mais esperado por ele, que só sentiu-se pronto para escrever depois de pouco mais de 20 anos de carreira. Os diálogos, escritos em 4 línguas diferentes, são muito bons, com a dose certa de ironia e humor; os personagens são fortes completados por uma interpretação que beira o não-realismo: Christoph Waltz no papel do coronel nazista Hans Landa é um dos melhores, pena que a resolução de sua história, feita de forma simplificada e rápida, não esteja a sua altura; e Melanie Laurent no papel de Shosanna Dreyfus, uma judia que arquiteta o plano de destuição do império nazista, essa sim colocada num final surpreendente e inesperado. Tarantino abusa da metalinguagem e faz um filme dentro do próprio filme, explorando pelas vertentes a política de propaganda do império nazista. Por outro lado, em alguns momentos, o filme se faz extendo e cansativo, com pelo menos duas sequências que poderiam ser cortadas pela metade.
A fotografia, um dos primores do filme é eficiente enquanto linguagem, faz uso primoroso do extra-campo, principalmente na sequência inicial, quando a câmera dá uma volta completa no ambiente e realiza posteriormente um travelling para baixo nos revelando um fato crucial para o desenrolar da história. A trilha sonora, composta por diferentes estilos musicais é um dos pontos altos do filme, que constrói a partir desse pastiche musical os momentos dramáticos mais interessantes. A sequência do massacre na sala de cinema é outro ponto destacável, quando coloca-se na tela o desejo de muitas pessoas no mundo todo, assassinando o alto escalão do partido nazista de forma quase orquestral: inicia o filme (o filme dentro do filme), o cigarro ainda acesso é arremessado, as pessoas se desesperam, o fogo começa e rouba o lugar da tela dando forma ao rosto de Shosanna Dreyfus, quase como um fantasma gargalhando da desgraça nazista. Ao final, o personagem de Brad Pitt, Aldo Raine, após realizar com sucesso seu último feito, olha para a câmera, que representa a subjetiva de Hans Landa, e diz: "Acho que fiz minha obra-prima", seria essa uma fala do próprio diretor? A dúvida permanece...ou não.
Valeu galera, até a próxima...
domingo, 11 de outubro de 2009
A terceira dimensão e a quarta parede II
(uma continuação)
2009. Toy Story já tem 14 anos de estrada e o anúncio do terceiro filme da turma de brinquedos malucos já foi feito para 2010. De lá para cá as coisas evoluíram bastante (a Disney até comprou a Pixar, quem diria), especialmente em termos técnicos. Adultos começaram a ir ao cinema para ver animação sozinhos, e deixaram as crianças em casa. Nada de infantilidade ou entretenimento vazio - agora, "narrativa cinematográfica" se aplica tanto a um Almodóvar quanto a John Lasseter, o chefão
da Disney/Pixar. O tal fenômeno tem explicações simples - os pais não aguentavam mais filmes musicais que as crianças adoravam e eles bocejavam - e complexas - a animação representa a fuga da realidade em sua máxima essência, por permitir a suspensão da descrença por meios primariamente abstratos como a própria representação gráfica de realidades paralelas e mundos inexistentes. Falando fácil ou difícil, o importante é que o público adulto perdeu a vergonha de comprar ingressos pra matinê dublada, e só vem ganhando com isso.Três bonitos exemplares da nova geração 3D estão nos cinemas pra quem quiser espiar: Up - Altas Aventuras (Up, dir. Pete Docter e Bob Peterson, Disney/Pixar), Tá Chovendo Hambúrguer (Cloudy with a chance of Meatballs, dir. Phil Lord e Chris Miller, Sony) e 9 - A Salvação (9, dir. Shane Acker, Focus Features).
Três animações de estilos completamente diferentes. Up se aproveita muito bem da rasteira de sucessos consecutivos da Pixar com alta qualidade técnica - é impossível descrever o quanto é difícil fazer balões transparentes e que parecem flutuar de verdade! - e apelo forte para as emoções que só os adultos entendem, como a saudade, a solidão e a velhice. Carl é um velho ranzinza cativan
te e os 10 primeiros minutos do filme valem lágrimas e risos. Tá Chovendo Hambúrguer já explora um veio essencialmente infantil, do sonho de todo moleque banguela que é o de que, um dia, chova comida do céu. De novo, a Sony, que é novata no ramo, esconde piadinhas ácidas e nerds em vários diálogos, ao mesmo tempo em que enche os olhos com todo tipo de guloseima representada em gráficos tão realistas que dão fome. 9 vai ainda mais longe. Aqui, não há nada para crianças, exceto talvez a moral de salvação do mundo. Não há mais humanos, não há mais vida; só engenhocas macabras que caçam as únicas criaturas capazes de dar continuidade àquilo que os homens não souberam cuidar. A técnica é tão menos impressionante do que a força da mensagem, mesmo que o filme escorregue na superficialidade dos personagens e em outros detalhes.Sim, nenhum dos três filmes é perfeito, de fato. Há problemas de roteiro, de motivação de personagens, até mesmo de exacerbação da técnica. Mas não custa brincar de ser criança. Ficou curioso como as coisas conseguiram chegar até aqui? Dê uma olhada no trailer de Toy Story 3, a trilogia do grande clássico, e tire suas próprias conclusões.
(com a little help de Omelete, Smelly Cat e IMDB)
A terceira dimensão e a quarta parede I
O cinema, numa época em que ainda era um bocado jovem e desengonçado, teve que aprender a dividir espaço com a animação. Os desenhos de mundos fantasiosos e coloridos do genial Walt Disney quebravam barreiras a cada novo longa, disputando com o cinemão prêmios, bilheteria e prestígio - principalmente pelo apelo infantil numa terra dominada por adultos e melodramas. Em algumas décadas os temidos "sinais dos tempos" começaram a desbancar as princesas e heróis da Disney nas telonas e os trancaram em fitas de VHS que a molecada colecionava em casa. Foi em meados da década de 1990 que a revolução da animação de longa-metragem atingiu em cheio as salas de cinema: Toy Story, a comovente história de um grupo de brinquedos falantes, inaugurou de vez a febre do 3D e a tradição de qualidade técnica dos estúdios da Pixar.
3D significa três dimensões, ou seja, largura, altura e profundidade. Diferente da Branca de Neve colada na tela de outrora, Woody e Buzz eram táteis, uma simulação impressionante do espaço do mundo real. E além das inovações técnicas, surpresa: roteiro. Moral da história, jornada do herói, ah sim, tudo isso - mas o ingrediente especial eram as piadas que só os adultos podiam entender. Animações para as crianças verem e os adultos que as levam se divertirem junto. E no cinema 3D, ah, bom... virou quase tradição.
(continua...)
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
PRA QUEM NÃO SABIA
então, o talk'n'dance, o projeto sobre o qual falei na postagem de ontem apareceu em uma reportagem da BAND. pra quem quer conferir, aqui está!
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Filmes Online (nossa produção)

Então, estou aqui novamente para falar de duas produções de que nossa produtora esta trabalhando, direcionando para o conteúdo online, como filmes online.
é possível sempre que os filmes saiam em DVD, mas a graça é que você tem cinema e televisão grátis para assistir com conteúdo de qualidade, uma vez que não somos apenas um site de cinema, mas um site de conteúdo audiovisual. 
uma delas se chama "talvez rockstar", e sua campanha leva o nome de "derepente vira um filme". o site, que já divulguei por aqui, é www.talvezrockstar.com, já esta com diversos novos materiais sobre a campanha e sobre a pós produção. Sempre terá conteúdo novo por lá! o filme terá seu lançamento na web ainda esse ano!
outra produção, que está parada no momento por falta de patrocínio é o "Talk'n'dance". através de um dos produtores da YODELEY, Bruno Martins, conseguimos o contato do Christian Petterman, que é critico de cinema da Rolling stones e do guia da folha, além de ter um quadro de cinema no Roni Von. Ele montou um programa de internet, do qual a YODELEY ficou responsável pela captação e publicação que parou em sua 3a edição por falta de recursos. Mas já existem três desses programas, que estão ótimos, na internet já publicados. Para ir para o canal de YOUTUBE do programa clique aqui. Estão publicadas entrevistas com: Laís Bodansky, Esmir Filho e Heitor Dhalia.
Hoje sai uma matéria na band, em um horário infeliz (0:45h) sobre o talk'n'dance. Espero que a matéria ajude-nos a contiuar com o belo projeto.
O foco da produtora está direcionado para conteúdo de internet.
Mais novidades eu publico por aqui!!
beijos e abraços!
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Reality Show cibernetico
Um tal de Constantine Markides, inventou um reality show cibernético baseado em uma disputa literária. serão 12 competidores que permanecerão anônimos para serem julgados apenas pela qualidade de seus textos, e até o final da disputa terão 12 capítulos de uma ficção. de 10 em 10 dias um competidor será elminado e até dezembro teremos apenas uma ficção completa.
Constantine admite que não gosta de reality shows mas reconhece que eles contém muita força para a captação de público (ele mesmo se diz fã de alguns por essa causa).
o site oficial da disputa é o www.fourthnight.com e ele já publicou o vídeo de inicio da disputa.
só para matar curiosidade, publiquei o vídeo! espero que o ódio do criador pelos realitys nos presenteie com uma boa obra, certo?